Por muito tempo, perdurou a idéia que a juventude baiana perdeu o brio, não consegue se entender e não tem interesse pela política. Aos que defendem essa tese, a participação de mais de 13 mil jovens nas conferências territoriais de identidade – preparatórias para a Conferência Estadual e Nacional da Juventude – é uma resposta clara da nova geração aos velhos rótulos. Para bom entendedor, a juventude diz que também faz história, também sabe a hora e que, também, não espera acontecer.
Quem acompanhou de perto os debates e a escolha de aproximadamente 1.500 delegados para a etapa estadual e mais 75 delegados e delegadas eleitos diretamente para a Conferência Nacional, percebeu que mesmo diante de grandes platéias, compostas por jovens de diferentes tribos e bandeiras de luta, o diálogo e o respeito às diferenças foram marcas registradas desses encontros. Isso revelou que a discussão de vários temas propostos para as conferências, já eram postos em prática no dia a dia de grande parte da juventude, assim como confirmou que a realização deste encontro não é resultado simplesmente de um governo popular e democrático, mas, principalmente, do amadurecimento e da construção histórica de uma nova geração.
Sem dúvida, esses foram os primeiros estereótipos rasurados, revelando um traço bastante peculiar desta época: a transversalidade. A capacidade de encontrar na diferença a unidade e na convergência das idéias a fórmula essencial para a elaboração de políticas públicas para o segmento, que representem as lutas de quilombolas, indígenas, ribeirinhos, sem terra, sem teto, militantes partidários, das ong´s, religiosos, estudantes, sindicatos e associações de bairro, entre outras. Foi um exemplo de como podemos construir uma sociedade mais tolerante, democrática e participativa.
Por último, a facilidade de a juventude lidar com a perspectiva de planejar o futuro, estabelecer critérios e reafirmar a idéia de que, entre uma eleição e outra, devemos estabelecer canais de interlocução com a sociedade sobre os rumos das políticas públicas executadas pelos governos. Ou seja: é inevitável a criação de um órgão governamental de juventude, que represente a consolidação da mais importante e qualitativa mobilização juvenil promovida pelo novo governo em conjunto com a juventude organizada. Será o início de uma revolução cultural promovida pelo governo Lula e reverberada pelo governo Jaques Wagner, pois, ao investir no segmento R$ 5,5 bilhões até 2010 e depositar na juventude a responsabilidade de como aplicar esses recursos, o presidente inaugura um novo período na história da construção coletiva deste país.
E o governo Jaques Wagner dá uma demonstração para o nosso país, que o seu, o nosso governo de Todos Nós, não abre mão de aprofundar a democracia participativa. É a Bahia o único estado que fez 21 Conferências Territoriais, sendo fiel aos 80% de jovens que residem no interior do estado, atingindo assim toda a juventude. Levante essa bandeira!
*Yulo Oiticica é deputado estadual (PT/BA) e presidente da Frente Parlamentar por Direitos e Políticas Públicas para a Juventude na Assembléia Legislativa da Bahia.
Deputado Estadual Yulo Oiticica (PT/BA) |