cima3.jpg
     quinta, 09 de setembro de 2010   
 
Untitled Document
BUSCAR NO SITE
CONHEÇA A LIDERANÇA
Líder
 
DEPUTADOS
Fátima Nunes
Isaac Cunha
J. Carlos
Neusa Cadore
Paulo Rangel
Valmir Assunção
Waldenor Pereira
Yulo Oiticica
Zé Neto
 
TEXTOS
Notícias
Artigos
Entrevistas
Estudos da Bancada
 
 
 
 
Voltar Home Favoritos
 
 
Artigos
 
Pelas diferenças e contra a desigualdade
Autor: Jaques Wagner*
Data: 17/06/2008

Há um discurso que aparentemente unifica todos: para enfrentar as desigualdades, temos que resolver o problema social do País. Só unifica aparentemente. As políticas de ação afirmativa – aquelas que consideram necessário tratar desigualmente os desiguais para enfrentar a desigualdade injustificada – vieram para desconstruir essa pretensa unanimidade. A política de cotas nas universidades, como parte das ações afirmativas, jogou mais lenha na fogueira e convidou a sociedade brasileira a um debate mais profundo.

Passados 120 anos, ao olharmos o quadro social brasileiro, observaremos as conseqüências visíveis da ausência daquelas políticas públicas reparadoras: negros e negras são os mais penalizados. Não se trata apenas de adotar políticas denominadas universais que ignorem a herança maldita da escravidão. Uma política voltada aos mais pobres sem articulação com a questão racial não conseguirá reverter esse quadro.

Quem, portanto, pretenda a uniformização da luta num conteúdo pasteurizador, que leva a alcunha do social como adereço, equivoca-se. A superação das desigualdades no Brasil passa necessariamente pela consideração de nossas heranças históricas, nem sempre tão gloriosas, pela observância dos aspectos raciais, étnicos e de gênero. O governo Lula, de modo inédito, reconheceu isso, ao criar um ministério voltado para a promoção da igualdade racial, outro dedicado à mulher, e aprofundou a política pública em relação aos povos indígenas. Não é por acaso que tanto a discussão sobre os negros, quanto sobre os índios, esteja tão presente atualmente.

Por tudo isso, quero afirmar minha concordância com a política de cotas, que começa a ganhar uma ampla dimensão no País. Falo como governador da Bahia, onde, segundo o censo de 2000, 75% da população do Estado é negra. Orgulho-me de dizer que o projeto de cotas do MEC buscou seus fundamentos na elaboração desenvolvida pela Universidade Federal da Bahia, cuja política de cotas vem alcançando notável êxito.

Várias universidades já estão adotando a política de cotas e o Ministério da Educação pretende transformá-la numa política nacional, através de projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional e que, ao que tudo indica, será levado a plenário brevemente. Creio tratarse de um projeto capaz de unir a sociedade brasileira pela sua natureza abrangente.

Em primeiro lugar, no projeto do MEC, há a observância, pertinente, da questão social ampla. Ou seja, 50% das vagas estarão reservadas a estudantes marginalizados e discriminados na sociedade brasileira. Diria que as políticas de ação afirmativa – e a política de cotas de maneira particular – são parte da revolução democrática e republicana em curso no Brasil. Nós não queremos ser uma sociedade composta de iguais. Queremos, devemos querer valorizar as nossas diferenças, elevar nossas singularidades.

É isso que nos faz ricos, diversos culturalmente. É isso que realça nossa herança cultural multifacetada. Mas, sem dúvida, pretendemos combater intransigentemente a desigualdade e, de modo particular, a que afeta os negros e os índios, ambos afetados seja pela escravidão, pelos massacres, seja pelas pretensas políticas universalistas que se seguiram. A igualdade pode e deve abrigar com carinho as diferenças, preservando-as. Nós precisamos acelerar o passo para construir um Brasil e uma Bahia para todos.

Jaques Wagner - Governador da bahia

 
 
Voltar Home Favoritos
 
 
Documento sem título
 


Liderança do PT Bahia
Fones: 3115-7301 e 3115-4953
Assembleia Legislativa da Bahia, Av. Luis Viana Filho, 130 - CAB, Edifício Sede, 2 andar - sala 95